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SAFRA

Pinhão oportunizando fonte de renda extra

Famílias aproveitam época da semente, para aumentar a renda mensal vendendo pinhão às margens da BR-470

Renata Westphal/ Jornal A Semana/ RCN

O Outono marca a época da semente que faz parte dos tradicionais pratos das famílias serranas. As baixas temperaturas combinam com paçoca de pinhão, entreveiro, pinhão na chapa ou cozido. Além de proporcionar toque especial nas receitas, a semente das Araucárias, também, se torna uma oportunidade de renda extra para famílias da região. 

Há 10 anos, a família do são-cristovense Volnei Pires Palhano, mais conhecido como Sapato, aproveita a época liberada para a colheita e venda do pinhão, para aumentar a renda mensal familiar. Desde abril, ele, a esposa Marilene dos Santos Farias e o filho Luciano Palhano, de 12 anos, montaram a "Barraca do Sapato" próximo ao trevo do Monte Alegre, em São Cristóvão do Sul, às margens da BR-470. 

A rotina da família começa cedo. Todos os dias, às 6 horas, Volnei abre a venda e espera os clientes, que estão de passagem pela rodovia, chegarem no seu estabelecimento. Durante a tarde, o vendedor passa a trabalhar acompanhado, quando a esposa Marilene e, há dois anos, o vizinho, Jacson Cequeira de Oliveira, com sua esposa Viviane de Freitas e a irmã Emanuele Cequeira, também trabalham no local. 

As famílias vendem, além de pinhão cru e cozinho, salame, mel e alho. O atendimento segue, todos os dias, até às 19 horas. "Fora da época do pinhão, trabalhamos com empreiteira e roçada, mas quando começa o período da semente, compramos o pinhão, montamos nosso ponto e revendemos. Por mês, lucramos de R$ 2 a 3 mil com as vendas", explicou Volnei. Na barraca, nesta época, o quilo do pinhão maduro está à venda por R$ 10 e os mais verdes, por R$ 8. Por ano, as duas famílias calculam que vendem cerca de 10 mil quilos da semente. 

As famílias explicam que o processo é cansativo. Moradoras do bairro Monte Alegre, todos os dias carregam as mercadorias no carro, levam para casa e no outro dia retornam para a venda. O principal desafio do trabalho está justamente no maior aliado do pinhão, o frio. Na estrutura de chão batido e de madeiras com frestas, as duas famílias se aquecem com o fogo que cozinha o pinhão, que também é vendido. Na estrutura, também se escondem da chuva, mas os sapatos sempre ficam sujos com o barro que a terra e o sereno fazem. 

Entre os desafios, também está o medo de ficar tão perto da estrada onde passam carros e caminhões em alta velocidade. Eles contam que o maior susto aconteceu no ano passado, quando quase foram assaltados. "Já era fim da tarde quando dois homens pararam com uma moto na barraca. Estranhamos, porque é muito difícil parar moto para comprar pinhão, achamos a atitude suspeita e nos fechamos dentro da barraca, como eles não sabiam em quantos estávamos lá dentro, foram embora", relata Jacson. 

Além da Família de Volnei e Jacson, o pinhão se torna fonte de renda para diversas outras famílias que se instalam ao longo da BR-470, do Oeste ao Litoral. A Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) calcula que 100 famílias trabalham na colheita e venda de pinhão só na Serra catarinense, a região que mais produz a semente. 

Safra menor

A colheita e a comercialização do pinhão estão liberados desde 1 de abril. De acordo com o gerente regional da Epagri de Curitibanos Gilmar Dallamaria (Caco) como no ano passado a safra foi abundante, neste ano, menos pinhão deve ser cultivado. Isso se explica, segundo ele, como um ciclo natural, pois a própria planta desgasta-se e, assim, consegue equilibrar o tempo de vida.



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