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VIAJANDO NA IMAGINAÇÃO

Passaporte da leitura incentiva alunos a ler mais em Piratuba

Iniciativa é realizada nas escolas Amélia Poletto Hepp e Rodolfo Holeveger

Pâmela Schreiner
Foto: Arquivo Claudia Jung

A frase clichê "ler é viajar sem sair de casa" faz muito sentido para os alunos do 3º ano de duas escolas de Piratuba. As turmas estão participando de um projeto chamado "Passaporte da Leitura", desenvolvido pela professora Claudia Aparecida Port Jung. O documento é utilizado para catalogar os títulos lidos e estimular o gosto pela leitura.

O projeto está em andamento nas escolas Amélia Poletto Hepp e Rodolfo Holeveger, de Lageado Mariano. Cada aluno recebeu um passaporte fictício, que foi preenchido com dados pessoais e foto 3x4, como se fosse um documento real. Cada vez que terminam uma leitura, os estudantes preenchem a página com o nome do livro e do autor, quando retiraram e devolveram a obra na biblioteca e avaliam se gostaram ou não da experiência.

Segundo a professora, a iniciativa está ajudando a incentivar os alunos a lerem mais. "Eles retiravam livros na biblioteca, mas nem sempre liam, deixavam na mochila, não se interessavam? e nós não tínhamos como verificar que o livro foi lido. No entanto, ficar cobrando é algo chato e desgastante e não estimula o amor pela leitura", explica. Claudia então pensou em uma maneira de tornar a leitura algo prazeroso e gratificante e não uma obrigação. Como forma de incentivo, a cada cinco livros lidos os alunos recebem um brinde surpresa.

Esse estímulo à leitura é extremamente importante nesta fase escolar. Segundo a pesquisa Retratos da Leitura, a faixa etária de cinco a 10 anos, que inclui os estudantes do 3º ano, é a única que mostrou crescimento no número de leitores entre 2015 e 2019, quando o levantamento foi realizado. Entre as pessoas que leem livros, 52% respondeu que começou a se interessar pela literatura por conta do incentivo de professores.

Para tornar a experiência ainda mais próxima das crianças, Claudia adotou um sistema de avaliação de leitura em formato de "emojis". Se a leitura foi boa, eles pintam a carinha "feliz" e se foi ruim, a que expressa "raiva". "Ninguém é obrigado a gostar de todas as leituras e o 'emoji' facilita a avaliação deles. Também fazemos registros diversificados atrás da passagem, como um desenho do personagem principal, um parágrafo explicando o que acharam do livro, copiar trechos das histórias, acrósticos, etc", conta.

Claudia deixa os próprios alunos escolherem os livros, porém também realiza leituras em conjunto. "Quando uma criança está lendo só livros de nível considerado baixo, eu estimulo a retirar títulos um pouco maiores" diz. Antes os estudantes costumavam optar por livros curtos, para ler de uma só vez. Com o andamento do projeto, muitos criaram gosto pela leitura e desenvolveram o hábito de ler um pouco todos os dias e por isso já apostam em obras mais avançadas.

Os livros favoritos da turma incluem a coleção "O diário de um banana" e títulos dos autores nacionais Ziraldo, Ruth Rocha e Ana Maria Machado. Os estudantes leem narrativas, quadrinhos e alguns já começam a se arriscar em poesias. Eles aprovaram a ideia e segundo Claudia, o momento mais esperado da semana é quando os alunos validam a "passagem". "Recebi feedbacks dos pais elogiando o projeto e dizendo que o filho está lendo por causa do passaporte e que eles não querem nem faltar aula no dia para não ficar sem o carimbo", lembra.

Na casa de Patrícia Duarte, mãe da aluna Manuela Letícia Deon, o resultado do passaporte foi muito positivo. "Nem preciso mais falar da necessidade de ler. A Manu retira os livros na biblioteca, espera ansiosa para fazer a troca e além disso se interessou pelos que já tinha em casa. Ela quer conquistar cada vez mais passaportes", comemora.

Patrícia também é professora e reconhece a importância de projetos que estimulem a leitura para as crianças. "São muitas distrações em casa que competem com os livros. A criança é movida pelo encantamento e por desafios e saber que quanto mais lê, mais surpresas ela vai ganhar, é o 'empurrão' que precisava para despertar o gosto por ler", finaliza.


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