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AVENTURA

Casal que era de Piratuba viaja o país de Kombi e mora no veículo com a filha

Michael de Oliveira, Kassiane Schwingel e a pequena Lívia Jumi, estão na estrada desde dezembro

Cristiano Mortari
Foto: Arquivo da família
A família decidiu sair da rotina depois que a pandemia iniciou. Agora os três ?moram? em um endereço diferente a cada semana

Sabe aquela vontade de viajar, conhecer lugares, visitar pessoas, rodar por aí sem destino e sem ter hora para voltar? É o sonho de muita gente e também era o sonho do Michael de Oliveira e da Kassiane Schwingel. Porém, já não é mais, pois o casal e a filha Lívia Jumi de Oliveira, estão tornando ele uma realidade. A bordo de uma Kombi ano 2010, a família decidiu "acelerar" e desde o dia 24 de dezembro, está na estrada.

Ele é radialista, tem 32 anos e é natural de Piratuba. A esposa Kassiane é historiadora, tem 31 anos e nasceu em Alto Bela Vista. Eles estão juntos há 13 anos e moram em Piratuba até 2013. Há oito anos foram para Monte Negro, RS, onde residiram até dezembro deste ano. Foi lá que tiveram a filha Lívia, que hoje tem cinco anos.

O planejamento de viajar pelo país tem pelo menos 10 anos. Mas esse "planejamento" não definiu roteiros e nem o tempo que a família vai ficar na estada. "A decisão de mudar de vida surgiu com a vontade conhecer lugares, pessoas e culturas diferentes. Ficávamos em casa nos finais de semana assistindo canais do Youtube, que mostravam as pessoas que viajam pelo mundo. Decidimos que queríamos viver a experiência", conta Kassiane. "É um projeto diferente, pois não é bem um projeto, é um desejo. Não temos roteiro e nem definimos o tempo desta experiência. Enquanto a gente estiver dando conta e se divertido, estaremos na estrada. Isso pode durar um ano, dois, quem sabe mais. Também pode ser que dure apenas um mês", brinca ela. "A pandemia aflorou essa vontade, pois mostrou que a vida é agora, é urgente. Se deixarmos nossos planos para quando a gente se aposentar, esse momento pode não chegar", acrescenta.


Os desafios

Para viajar o casal e a filha têm vários desafios diários. Um deles é que o veículo não tem banheiro e por isso a família precisa escolher lugares para os banhos e necessidades. "A gente para em postos de combustíveis ou em áreas de camping que têm a estrutura de banheiros, chuveiros e tanques para lavar as roupas. Em alguns lugares nos cobram uma taxa, ou pedem que a gente abasteça. Tem também os que se compadecem e não cobram nada", ri Michael.

Para abastecer, comprar comida e pagar demais despesas, a família "se vira". Mesmo na estrada o casal consegue trabalhar. "Como locutor, sigo gravando comerciais para empresas e carros de som. Também gravo anúncios para rádios e vou trabalhando pela internet, enviando os áudios que me pedem. Outra atividade que faço é a animação em frente aos estabelecimentos comerciais, então nas cidades em que paramos, vou oferecendo o serviço", conta Michael. "A Kassi atua como assessora de projetos em uma organização indigenista. Ela não deixou o emprego, já que consegue trabalhar na Kombi utilizando a internet. E quando houver necessidade, ela pode voltar ao RS para alguns compromissos", explica Oliveira. "Também decidimos que se for preciso, vamos fazendo bicos para manter esse nosso novo estilo de vida", comenta. "E, claro, aceitamos doações via Pix. Nossa chave é "nosnamajo@gmail.com", informa descontraído.


A Kombi

Outro desafio é a própria Kombi, chamada de Majô. Michael e Kassiane garantem que ela está revisada e tem a manutenção em dia, mas contam que já conheceram algumas cabines de caminhões de guincho. Nos primeiros dias de estrada, por exemplo, ela quebrou. O Réveillon da família foi "comemorado" em um posto de combustíveis, já que a Majô, "decidiu parar no feriado". "Temos a Kombi há seis anos. Nos dois primeiros com a gente, ela vivia quebrando e quando saíamos sempre voltávamos de guincho", conta Kassiane. "Fomos ajustando tudo e fizemos a manutenção preventiva antes de sair para essa aventura, mas ela quebra às vezes", lamenta. "Tem coisas que não tem como prever e mesmo com os imprevistos nós vamos seguindo. Nessas horas a gente conhece pessoas boas que param para ajudar. No Réveillon, por exemplo, uma família nos ofereceu ajuda e ficou conosco", lembra ela.

Para se tornar a casa da família a Kombi foi totalmente adaptada. Michael conta que tudo foi pensado para garantir o conforto e a segurança dos três. "Trocamos bancos, fizemos isolamento térmico, instalamos climatizador e um sofá cama. Também temos móveis sob medida, pia, reservatório de água de 50 litros, frigobar, fogão, bagageiro e um toldo. A energia que utilizamos vem de duas baterias e de uma placa solar", detalha.


A filha na estrada

O casal comenta que a filha Lívia está se adaptando fácil ao novo estilo de vida. A mãe conta que a criança precisou se desfazer de algumas coisas, mas aceitou a ideia de viajar. "Ela tem a cama e o espaço dela na Kombi e já se acostumou. Mas passou por uma preparação para a aventura. Teve que se desfazer dos brinquedos, roupas e calçados, que foram doados. Também precisou deixar o cachorro aos cuidados de uma família", relata Kassiane. "A Lívia ainda tem um ano de Educação Infantil. Neste momento seguimos viajando, mas em fevereiro, vamos tentar vincular ela a alguma escola da região por onde estivermos. Estamos avaliando ainda, como vamos trabalhar isso", explica a mãe.


Por onde anda a família

Nesta semana, Michael, Kassiane e Lívia viajam por São Paulo. Eles saíram de Jundiaí, na segunda-feira, dia 10, e estão em Cunha que fica no Vale do Paraíba, litoral Norte do Estado. Pelas redes sociais, é possível acompanhar a família no "@nosnamajo". Eles mantêm as páginas do Facebook, Intagram e Kwai atualizadas.



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